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ESCRAVOS OU SERVOS? 00/00/0000

 

“Então servireis a Deus nesta montanha” (Ex 3,12)

 
O Livro do Êxodo inicia mostrando que o povo de Deus se tornou escravo no Egito. Quem é escravo tem dono, é propriedade, mas não tem liberdade, não é sujeito, é objeto, é como se fosse mercadoria. O faraó usou o trabalho para tornar dura e amarga a vida do povo (cf. Ex 1,11-14).

Diante dos sofrimentos e opressões o povo clamou ao seu Deus, que viu a miséria, ouviu seu grito e desceu para libertar (cf. Ex 3,7-8). A missão do povo libertado e conduzido para viver na Terra Prometida era de servir ao seu Deus (cf. Ex 3,12).

 

Deus libertou o povo da escravidão e deu a liberdade. O povo não se tornou escravo de Deus, mas servo. O servo é livre e por isso deve ter responsabilidade. Na nova Terra, o povo deveria servir ao seu Deus e viver segundo o projeto de vida e santidade que o Senhor esperava. Ou como recordou Zacarias: “Libertos dos nossos inimigos nós sirvamos ao Senhor em justiça e santidade todos os dias” (Lc 1,74-75). Viver a fraternidade entre irmãos, cuidar da vida e da natureza, de modo a criar um mundo de justiça, de beleza, de harmonia e de paz.

 

Outra forma de servir a Deus era através da liturgia. O povo deveria ser uma Assembléia do Senhor. O povo reunido devia prestar o mais belo culto, louvando, agradecendo, implorando, adorando o único Deus. Servir a Deus era celebrar e colocar-se como oferenda quotidiana em oração. O Senhor, por sua vez, daria leis e normas para que o povo vivesse bem; perdoaria os pecados cometidos; e mandaria a sua bênção.

 

Mas o povo nem sempre foi fiel ao seu Deus, não escutou a voz profética, não praticou a justiça. Veio então o exílio na Babilônia. Novamente Deus se mostrou próximo do “resto” que ainda permanecia fiel. Este pequeno grupo era o “Servo do Senhor” fiel, perseverante, sofredor e que mantinha esperança no seu Deus. Este “resto” alimentou o sonho da vinda do Messias e permaneceu na espera da realização das promessas de Deus (Isaías capítulos 40 a 55).

 

Jesus veio realizar a Promessa. Ele se inspirou nos cânticos do Servo Sofredor de Isaías. Jesus não veio como rei e com poder político. Veio como servo de Deus e da humanidade: “para servir e não para ser servido” (Mc 10,45). Servir a Deus e aos mais necessitados. Jesus veio ensinar o amor de Deus que é serviço, por isso na última Ceia lavou e enxugou os pés dos seus discípulos e mandou que fizessem a mesma coisa (Jo 13,1-15). Quem quiser segui-lo deve ser servo, assumir a cruz de cada dia e pôr-se a caminho (Mc 8,34). Foi o que fez Maria ao ouvir o chamado, respondendo: “Eis aqui a seva do Senhor” (Lc 1,38).

 

São Paulo também reflete isso nas suas Cartas. Nós somos servos. Mas quando andamos de acordo com os projetos do mundo nos tornamos escravos do pecado (Rm 6,15-23). Ora, Cristo veio nos libertar do pecado, para que não sejamos escravos, mas servidores de Deus, livres e fiéis: “livres do pecado, vos tornastes servos da justiça” (Rm 6,18).

 

Hoje podemos ser escravos deste mundo materialista e consumista. Escravos da injustiça, do egoísmo, da internet, das drogas e tantas formas que nos tiram a liberdade. Multidões são escravas da fome, da injustiça, da violência, da exclusão social... Jesus continua nos chamando, ouvindo nossos gritos e descendo para libertar de tudo isso que nos escraviza. Sejamos livres! Livres para servir e amar! Servir a Deus na comunidade, servir aos mais necessitados, servir à Criação que está sendo destruída. Quem é escravo sofre e chora e não tem esperança. Quem serve é livre e – mesmo neste mundo em crise – é capaz de viver e ser feliz!


Dom Frei Claudio Nori Sturm, OFMCap

 

 

 


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