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O Ministério dos Catequistas

09/06/2021   .    Artigos de Formação
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Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

 

Chama-se “Antiquum ministerium” (Ministério antigo) o motu proprio com o qual, o Santo Padre, o Papa Francisco instituiu o Ministério de Catequista. Esse Documento foi apresentado no dia 10 de maio p.p., memória litúrgica de São João de Ávila (1499-1569), catequista, teólogo, presbítero e doutor da Igreja que, em 1554 produziu o texto do Catecismo dividido em quatro partes.

Esse ministério se junta, àqueles do leitorado e acolitado, que com o motu proprio Spiritus Domini, de 10 de janeiro de 2021, e que dantes eram reservados a homens, sobretudo aos que receberiam o Sacramento da Ordem, em um dos seus três graus, foi modificado pelo Papa Francisco dando também acesso para as pessoas do sexo feminino que também poderão ser instituídas nos ministérios do leitorado e do acolitado.

Esse documento chega à lume depois de anos de trabalho. São Paulo VI já tinha exprimido o desejo de que a função de Catequista se tornasse um verdadeiro e próprio ministério, desse modo, transcorreu mais de 50 anos para que a Igreja chegasse a reconhecer que o serviço realizado por tantos homens e mulheres com o seu empenho catequístico constituísse realmente um ministério peculiar para o crescimento da comunidade cristã.

Na instituição deste Ministério, indica-se no motu proprio que “desde os seus primórdios, a comunidade cristã conheceu uma forma difusa de ministerialidade, concretizada no serviço de homens e mulheres que, obedientes à ação do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja. Os carismas, que o Espírito nunca deixou de infundir nos batizados, tomaram em certos momentos uma forma visível e palpável de serviço à comunidade cristã nas suas múltiplas expressões, chegando ao ponto de ser reconhecido como uma diaconia indispensável para a comunidade”.

O Ministério do Catequista sendo um serviço ao Evangelho e à Igreja, o  Novo Testamento reconhece com evidência a presença dos batizados no ministério de “de transmitir, de forma mais orgânica, permanente e associada com as várias circunstâncias da vida, o ensinamento dos apóstolos e dos evangelistas. A Igreja quis reconhecer este serviço como expressão concreta do carisma pessoal, que tanto favoreceu o exercício da sua missão evangelizadora”. Recordando também o Papa “a multidão incontável de leigos e leigas que tomaram parte, diretamente, na difusão do Evangelho através do ensino catequístico. Homens e mulheres, animados por uma grande fé e verdadeiras testemunhas de santidade”: em alguns casos fundaram Igrejas e doaram a vida. Ainda hoje “muitos catequistas competentes e perseverantes que estão à frente de comunidades em diferentes regiões, realizando uma missão insubstituível na transmissão e aprofundamento da fé”.

Juntando à fidelidade ao passado e a responsabilidade do presente, percebemos que depois do Concílio Ecumênico Vaticano II os leigos e leigas “em força do Batismo são chamados a colaborar na catequese”, presença hoje cada vez mais urgente  para a “evangelização no mundo contemporâneo e à imposição de uma cultura globalizada, que requer um encontro autêntico com as jovens gerações, sem esquecer a exigência de metodologias e instrumentos criativos que tornem o anúncio do Evangelho coerente com a transformação missionária que a Igreja abraçou. Fidelidade ao passado e responsabilidade pelo presente são as condições indispensáveis para que a Igreja possa desempenhar a sua missão no mundo”.

Ao falar da “função peculiar do catequista” o Santo Padre reafirma o seu chamado “a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto “a dar a razão da sua esperança a todo aquele que a peça” (cf. 1Pd 3,15)… testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja”. Identidade que se desenvolve mediante a oração, o estudo e a participação na vida da comunidade.

Os requisitos fundamentais para este ministério são elencados pelo motu proprio: “homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação ativa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese; colaboradores fiéis dos presbíteros e diáconos, disponíveis para exercer o ministério onde for necessário e animados por verdadeiro entusiasmo apostólico”.

A Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos publicará, posteriormente, o “Rito de Instituição do Ministério Laical de Catequista”. Rito que será utilizado pelo Bispo porque “o Catequista está a serviço do Bispo e da Diocese”, sendo regulamentado por cada Conferência Episcopal a formação, as normas para a instituição e as formas de serviço do que forem instituídos.

Instituir um ministério, por parte da Igreja, na realidade equivale a estabelecer que a pessoa investida daquele carisma realiza um autêntico serviço eclesial à comunidade.

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