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CARTA À IGREJA NO BRASIL SOBRE O CAMINHO SINODAL PARA AS DIRETRIZES GERAIS DA AÇÃO EVANGELIZADORA

05/09/2022   .    Notícias da Igreja
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Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração. Mostrai-vos solidários com os santos em suas necessidades. (Rm 12, 11- 13)

Caríssimos irmãos e irmãs,

  1. Com afeto pastoral, nós, bispos do Brasil, dirigimo-nos aos cristãos leigos e leigas, aos presbíteros, diáconos e consagrados(as), presentes e atuantes em nossas Igrejas particulares que, unidos pela fé, esperança e caridade, compõem a grande sinfonia do povo santo de Deus. Que a “graça e a paz da parte de Deus, nosso Pai, e de nosso Senhor, Jesus Cristo” (cf. Rm 1, 7) estejam com todos vocês.
  2. Em comunhão e em caminho com toda a Igreja, “convocada em sínodo” pelo Papa Francisco, encontramo-nos como peregrinos, reunidos na 59ª Assembleia Geral da CNBB, sob o olhar materno da Virgem Mãe Aparecida, celebrando os 70 anos de existência e missão de nossa Conferência Episcopal. Guiados pelos estímulos suscitados pelo tema de nossa Assembleia – Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão -, em atitude humilde de escuta recíproca

e de diálogo sincero, com o ouvido do coração atento à voz do Senhor que nos fala, procuramos conhecer e discernir o que o Espírito “diz às igrejas” (Ap 2, 11). Une-nos a convicção de que “o caminho da sinodalidade é precisamente o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milênio” e afirmamos o nosso compromisso de construir uma Igreja decididamente sinodal.

  1. Nossa Igreja no Brasil tem sido construtora e testemunha de um processo amadurecido e consistente de discernimento e assimilação do caminho de renovação e empreendido, como fruto do Concílio Vaticano II, um processo marcado por desafios, aprendizados e superações. Reafirmamos nosso compromisso eclesial com a continuidade deste caminho e a convicção de que, entre nós, não há espaços para retrocessos. Precisamos avançar e construir caminhos novos, conscientes de que caminhar juntos exige de todos nós: mais fraternidade e menos rivalidade; mais partilha e menos egoísmo; mais cooperação e menos competição; mais sentido da vida cristã em comunidade (“diocesaneidade”) e menos individualismo na vivência da fé; mais abertura à escuta e ao diálogo e menos imposição das próprias ideias e decisões; mais flexibilidade e menos resistência à ação do Espírito Santo; menos medo e mais ousadia e profetismo para assumir os riscos do testemunho da fé.
  2. Nossas Igrejas particulares vivenciaram com entusiasmo e desafios a primeira etapa do caminho sinodal, exercitando-se no aprendizado da sinodalidade, a partir da escuta de todo o povo de Deus e do diálogo com os vários ambientes humanos e sociais. O dinamismo com o qual este processo foi vivido, testemunha a riqueza da diversidade e a harmonia das convergências que manifestam o rosto de nossa Igreja. A síntese produzida servirá como instrumento para discernir e propor diretrizes que respondam aos desafios da ação evangelizadora. Somos, portanto, agradecidos a todos os que colaboraram como atores neste processo de escuta, e os encorajamos a continuar caminhando juntos, pela Igreja e pelo Reino.
  3. Estimulados por esta experiência eclesial vivida, iniciamos o processo de atualização das Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil – DGAE. Elas são expressão e fruto de uma longa tradição sinodal na história da Igreja no Brasil e constituem-se uma bússola na caminhada pastoral, alimentando a unidade e comunhão na missão. Nestes últimos anos, iluminados pelo texto de Atos 2,42, traduzido criativamente na imagem da casa e seus pilares, as atuais Diretrizes nos desafiamcomsua proposta central de fortalecimento e capilarização em Comunidades Eclesiais Missionárias – CEM. Não obstante os desafios enfrentados, sobretudo aqueles advindos do drama da pandemia, muitos frutos temos a apresentar do percurso feito até agora, em resposta às orientações oferecidas pelas últimas Diretrizes. Sentimos a ação do Espírito a nos conduzir, suscitando autênticas experiências de conversão pastoral em nossas Igrejas particulares. Mas, com certeza, precisamos avançar!
  4. Em estilo sinodal e com estruturas que garantam maior comunhão e participação de todo Povo de Deus, reconhecemos a validade das atuais Diretrizes e propomos um itinerário que aprofunde e integre os desafios dos novos contextos. Cremos que, conhecendo-o, poderemos assumi-lo com mais empenho e alegria, como uma construção coletiva e dele participarmos deforma solidária, ativa e corresponsável.
  5. a) Desejamos prolongar o exercício da escuta, acolhendo a síntese das respostas ao Sínodo sobre a Igreja Sinodal apresentadas pelas dioceses, as reflexões oferecidas pelos bispos e pelos organismos do Povo de Deus na 59ª Assembleia Geral da CNBB e outras contribuições que forem aportadas.
  6. b) Para 2023, propomos a vivência de um tempo de discernimento que se desdobre na compreensão de conceitos presentes nas Diretrizes, na apresentação concreta de metodologias e indicações pastorais, à luz das Constituições principais do Concílio Vaticano II;
  7. c) Em 2024, nos dedicaremos à recepção e aprofundamento das indicações do documento final do Sínodo em curso, e à oração, como preparação imediata ao Jubileu Ordinário de 2025;
  8. d) Em 2025, no contexto do Jubileu, será apresentada na 62ª Assembleia Geral da CNBB, a nova redação do texto das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, fruto maduro de todo esse nosso percurso paciente e participativo.
  9. Do processo de escuta, até o momento, algumas indicações têm sido apresentadas em nossas partilhas, pelos Bispos, comissões e organismos do povo de Deus, tendo em vista a construção das futuras DGAE. Estas indicações nos estimulam a prosseguir no caminho de escuta e de diálogo que decidimos empreender. Por isso, desejamos motivar a participação das comunidades, à luz do seguinte questionamento: Diante do atual contexto social e eclesial, o que devemos considerar na elaboração das próximas Diretrizes? As contribuições devem ser enviadas à Comissão do Tema Central, através do e-mail: temacentral@cnbb.org.br,até 31 de julho de 2023.
  10. Como “Peregrinos da Esperança” voltamos o nosso olhar para a Virgem Maria, Senhora Aparecida, a quem contemplamos como “como sinal de esperança segura e de consolação, para o Povo de Deus ainda peregrinante, até que chegue o dia do Senhor” (LG 68). Seja Ela a Estrela a nos guiar e a nos iluminar na comum responsabilidade de plasmarmos o presente e o futuro de nossa Igreja.

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