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A família brasileira de João Paulo I

18/10/2021   .    Notícias da Igreja
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Dois primos separados pela migração. Porém, Bortola Tancon, mãe de Albino Luciani, nunca deixou de se corresponder com Giovanni Valentino Tancon, que fixou residência em Santa Catarina. A neta de Giovanni voltou a reunir a família encontrando-se com João Paulo I.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Se a migração italiana deu um Papa à Argentina, deu também uma família brasileira a João Paulo I.

A nossa história começa em 1897, a primeira onda migratória que uniu a Itália ao Brasil. Neste caso, mais precisamente a região do Vêneto com o Estado de Santa Catarina.

Foi ali, na Colônia Luiz Alves, que se estabeleceu um ramo da família Tancon, sobrenome da mãe de Albino Luciani: Bortola Tancon.

Apesar da distância, Bortola sempre manteve correspondência com seu primo, Giovanni Valentino Tancon, pois eram como irmãos, tendo crescido juntos em Canale d’Agordo, terra natal de João Paulo I. E foi justamente a neta de Giovanni, Iria, que viria a restabelecer o elo com a família de origem ao visitar a Itália e o ano não poderia ter sido mais providencial: 1978.

Ouça o depoimento de Iria Tancon:

“Eu o encontrei pela primeira vez em maio de 1978 em Roma, quando ele veio para uma visita ao Vaticano, e me convidou para almoçar com ele lá nas irmãs de Santa Dorotéia, em Forte Boccea. Foi aí que eu o conheci. Eu, toda tímida, com receio, imagina eu ia encontrar o patriarca. Quando ele chegou à sala para almoçar, juntamente com a sobrinha dele, Lina Petri, era como se eu o conhecesse a vida toda, era uma pessoa de uma simplicidade, de um carinho, um sábio na sua simplicidade. E aí conversamos de tudo, conversamos inclusive da viagem que ele tinha feito ao Brasil – e que não tinha procurado os parentes e não tinha encontrado – e esses parentes não estavam justamente no Estado em que ele esteve, porque ele esteve em São Paulo e Rio Grande do Sul, pulou justamente o Estado de Santa Catarina. Conversamos muito e a partir daí nasceu um carinho, e uma relação de espiritualidade realmente muito grande entre nós.

Quando veio a Roma para o Conclave, telefonei para ele para combinarmos uma janta e ele me prometeu: “Iria, assim que terminar o Conclave, agora eu não posso – ele era o presidente da CEI – preciso estar aqui para organização, mas assim que terminar, antes de subir para Veneza, nós vamos jantar juntos”. E infelizmente ou felizmente, quando terminou o Conclave, ele saiu Papa, aí não tivemos mais essa oportunidade.
Eu estava na Praça naquele momento em que foi anunciado a sua eleição, no Habemus Papam. Eu não posso descrever qual foi a minha emoção. Estava vivenciando como uma jovem, naquele tempo, um momento histórico particular e diria, depois que soube o nome, um momento familiar assim de grande intensidade. Foi uma emoção incontida, foi uma emoção que vocês eu acho que entendem, né? Não tem palavras para descrever. E depois no dia seguinte, no Angelus, eu estive também…
Seu irmão, “Zio” Berto, então me levou na audiência privada da família, junto com os seus. E quando ele veio ao meu encontro na sala de audiência lá do Vaticano, de longe já disse: “Grazie Iria del telegrama”. Imagina, no meio de tantos telegramas que ele recebeu, lembrar do meu telegrama que havia mandado por ocasião da sua eleição!
Essa simplicidade não me deixou encabulada. E ele veio ao meu encontro, aí pudemos conversar, e depois ele mandou pelo Tio Berto todos os jornais da eleição e da entronização que eu trouxesse para o meu pai, aqui para família. Então, ele era uma pessoa mesmo de família.
E eu gostaria também de dizer que nós aqui no Brasil, a família, mas não só, as pessoas têm uma veneração muito grande pelo Dom Albino. Ele cativou o nosso povo e mundo todo. Por isso, em 2010/2011, quando teve o ano da Itália no Brasil, esta Chiesetta nós consagramos ao Cristo dos Alpes, mas dedicamos a Dom Albino Luciani, ao Papa Sorriso. Então hoje o Papa Sorriso tem uma Chiesetta que o recorda, onde celebramos sempre a sua memória e a ele nós pedimos sempre a intercessão pelo nosso povo, pela nossa gente e pelo mundo todo. E ele, sorrindo, sempre nos abençoa.”

Fonte: Vatican News

Foto: Vatican Media

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